Abstract
Uma análise da articulação das sonoridades em três dos Vingt Regards sur l’Enfant-Jésus, o primeiro importante ciclo de peças para piano de Olivier Messiaen, procura mostrar que a estética deste compositor, associada a sua técnica composicional, ecoa e prolonga diretamente as intuições radicais de Debussy, ao mesmo tempo que as consolida por meio de um maior formalismo. Os dois primeiros movimentos se apresentam como opostos e complementares em relação à função estrutural da sonoridade: enquanto no primeiro a estabilidade é representada pela invariabilidade das dimensões sonorísticas (registros, amplitudes, densidades), no segundo são os contrastes de sonoridades que constituem o essencial da kynesis formal. O terceiro evidencia um processo de fusão entre construções rítmicas e espectrais. Os Regards ilustrem bem a perspectiva que Messiaen abriu para uma investida sistemática visando a utilização da sonoridade como vetor de estruturas formais.
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ID:
242697
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guigue2000opussobre