Abstract
Reflectindo sobre a representação do oceano na Cristandade tardo-medieval, o presente artigo debruça-se sobre duas interrogações fundamentais: de que modo o cristão deste período de encruzilhada concebia o elemento oceânico? Qual o peso desta “mundividência” no contacto directo e quotidiano com o oceano, sobretudo no litoral sudoeste da Cristandade? Durante os séculos medievos prevaleceram no território ibérico (e também na orla mediterrânica da Europa) duas concepções do oceano. A primeira, herdada das autorictas medievais e em conformidade com a visão mais continental e rural da Europa medieval, tendia a eliminar do horizonte - ou a reduzir ao máximo - o elemento aquático. A segunda, mais positiva e optimista, tornou-se preponderante sobretudo no sul da Cristandade, estando por isso mais próxima da herança clássica e muçulmana. Na Península Ibérica, e mais particularmente em Portugal, chegados os séculos de viragem da Idade Média para a era Moderna, prevaleceu a segunda concepção. No entanto, sempre penetrada por vestígios da visão continental e mais adversa ao mar…
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ID:
224681
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lopes2018fronteiras:the