Abstract
<p>Este trabalho tem por objetivo investigar narrativas orais produzidas por uma mulher não-alfabetizada do ponto de vista da instalação da heterogeneidade discursiva. A heterogeneidade é vista e detectada em uma dimensão constitutiva e em uma dimensão mostrada. A discussão baseia-se ainda no conceito de letramento, e, partindo do pressuposto de que existe uma interpenetração do discurso da oralidade e do discurso da escrita, procura detectar como, nas narrativas analisadas, esta alteridade constituída por quem sabe ler e escrever, é indiciada no discurso do não-alfabetizado. As narrativas apresentadas - “As três estrelas de ouro na testa” e “A Branca Flor de Antuninho”- foram produzidas por Madalena de Paula Marques: uma mulher não-alfabetizada e moradora da periferia de Ribeirão Preto-SP-Brasil. A análise procura mostrar que, ao jogar com os dois tipos de heterogeneidade citados, a narradora assegura um fluxo narrativo coerente concorde à função de autoria, conforme propõe a teoria de letramento que embasa o trabalho. Apontamos ainda aqui na direção de afirmar que estas narrativas, mesmo sendo orais, apresentam marcas de escrita constituída pela heterogeneidade.</p>
Citation
ID:
189759
Ref Key:
tfouni2005alfa:letramento,