As páginas seguintes visam refletir sobre a possibilidade de
uma abertura entre os âmbitos dos saberes envolvidos na indagação
da realidade humana a partir da virada fenomenológica nas
neurociências cognitivas contemporâneas. No que tange à
especificidade da compreensão filosófica do homem, trata-se, por
um lado, de determinar em que medida as novas evidências
empíricas abalam o aparelho conceitual tradicional da própria
filosofia e, por outro lado, apontar uma possível modalidade de
fundamentação de um saber do homem voltado para um estudo da
totalidade das dimensões que lhe pertencem. Focando a atenção
sobre a adquirida centralidade do fenômeno da consciência no
contexto das neurociências cognitivas, tentar-se-á apresentar e
justificar o novo papel que o método fenomenológico pode
desempenhar em relação à análise do “sujeito da percepção” pela
tematização do que está implicado naquela complexidade estrutural
denominada “subjetividade” que remete à “dimensão pessoal” do
nosso ser.