Abstract
Apesar da prática de possessão em contexto religioso ser relativamente comum e transcultural, como por exemplo nas religiões afro-brasileiras, nas religiões espíritas, nas igrejas cristãs neopentecostais e carismáticas, há relativamente pouca pesquisa sobre a saúde mental e os correlatos psicológicos dos indivíduos que vivenciam estes estados de possessão. Essas experiências podem ser facilmente confundidas com sintomas dissociativos ou psicóticos, constituindo-se muitas vezes em um desafio para o diagnóstico clínico. Nesse artigo, utilizamos o estudo de caso de uma líder religiosa de Umbanda de modo a realizar uma pesquisa fenomenológica e clínica, que tente diferenciar a experiência de possessão saudável da patologia de Transtorno Dissociativo de Identidade, consoante os critérios do DSM 5. Na nossa conclusão, questionamos a precisão do diagnóstico de Transtorno Dissociativo de Identidade, particularmente na sua falta de atenção ao contexto social. Terminamos com um apelo aos psicólogos brasileiros para fortalecerem a pesquisa em uma área tão relevante para a sociedade brasileira, ao invés de apenas apostarem no estudo de temáticas espirituais que vêm do estrangeiro (como por exemplo, a mindfulness, de raiz budista).
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ID:
168563
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delmonte2017pistisa