Abstract
Em março de 2012 foi lançada a campanha Kony 2012, cujo instrumento principal foi um filme com 29 minutos de duração realizado pela ONG Invisible Children. Ele trata de uma campanha de mobilização cujo propósito é localizar e prender Joseph Kony, líder do LRA (Lord’s Army Resistance), grupo militante atuante no centro da África acusado de uma série de crimes contra a humanidade. A tamanha popularidade que um filme ativista alcançou na internet nos instigou a pensar sobre quais estratégias foram usadas por seus produtores e os efeitos da campanha. Para tanto, partimos neste trabalho de considerações sobre a significação de diversos fragmentos de vídeos tirados do Youtube e usados como peças básicas da construção do filme Kony 2012. Em seqüência, com base na sua decupagem*1, persegue-se a forma como o filme revela sentidos políticos latentes naqueles micro-vídeos. Partindo da ideia do filme como um momento dentro de um processo complexo de construção, disputa e negociação de uma comunidade digital imaginada, veremos que o filme e as práticas em torno dele propõem uma política global, construída a partir de mitos e utopias, que se coloca ao mesmo tempo jovem, pós-moderna e digital. Ele suscita respostas vindas da prática já existente nessa nova ágora, que demonstrou ser altamente manipulável e, não sem paradoxos, altamente crítica.
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ID:
102356
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brites2012konyrevista